Carregava estátuas aos ombros pelo amanhecer deixando o seu rastro impregnado na roupa de quem passava. Eram figuras arrancadas à pedra, ao metal, à fundição dos materiais pela força do consolo. Tinha um odor de fim do mundo carregado de jasmim - tal como os jardins da cidade onde pernoitava. Nunca parava duas vezes no mesmo sítio e somava os passos para não se perder. Era inevitavelmente sagaz. Olhava os meteoritos nos olhos de outrem e caçava-os antes que os arremessassem. Sabia a delicadeza das horas e a sua minúcia transparente. O seu cérebro era-lhe agora forasteiro mas aprendera a guia-lo. Rodava perante a perspectiva de uma ilusão barata mas funcional. Restabelecia-se ao sabor do vento sentindo a morte da manhã ao virar arrebatado da esquina. Por vezes uma qualquer ave de asas abertas poderia abanar a sua arquitectura horizontal de ossos e músculos. Por vezes uma atenção redobrada poderia ter o mesmo efeito. Por vezes nada era constante. Era então que apressava o passo para junto do velho balouço rodeado de estátuas no seu jardim de eleição. Poisava-se levemente nele e abandonava-se-lhe.