| Sentados dentro do sofá com as letras assobiadas
Cada um numa ponta do sofá girava as palavras, amortecia os dizeres, resguardava as aflições das distâncias virtuais. Nos teclados dedilhavam invenções, intensas derrapagens, pequenas mentiras, no monitor o reflexo das imagens reais é derretido e nele se recriam as rostos e olfatos, sentem-se as ternuras amorosas, amistosas, num querer apenas estar a ser sem prazo de vencimento.
Mas naquele sofá as palavras ficaram compridas, estreitas, sem vogais. |