Por Deus! O que eu gostaria, mesmo, era ter um homem diferente por dia. Queria viver de aventura, amar efêmero. Acordar pela manhã e me deparar com alguém diferente. Não, ninguém sabe disso. Eu finjo bem, mas eu queria é ser puta, daquelas bem rameiras.
Vestir-me de Maria, de Clarice, Joana, Sueli e pegar delas todos os homens. Ser a amante desejada, sonhada. Daquelas que eles sussurram à noite, enquanto as santas dormem ao lado.
E, não sendo assim, vivo da raiva de ter que limpar essa casa, lavar as roupas dessas crianças e preparar a comida do senhor meu marido. Sou uma senhora casada, obrigada a ouvir elogios. Ora, percebam que não sou mãe de família coisa alguma, minha gente! Minha cabeça é suja, feito forro gozado e minha alma é iníqua, padre. Sou uma pecadora consciente.
Sou outras, muitas e, dessas tantas, nenhuma é flor que se cheire.