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<title>Minguante - estante</title>
<description>Livros introduzidos na estante</description>
<link>http://minguante.com/?pag=estante</link>
<language>pt-pt</language>
<lastBuildDate>16-05-2009 14:00:24</lastBuildDate>
<pubDate>16-05-2009 14:00:24</pubDate>
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<title><![CDATA[A Prisão do Ético]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/a_prisao_do_etico.jpg"></img><pre>
</pre><strong>A Prisão do Ético</strong> é o primeiro livro de Paulo Rodrigues Ferreira. Para trás ficam participações na antologia <strong>Contos de Algibeira</strong> (Porto Alegre, Casa Verde 2007) e na <strong>Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa</strong> (Lisboa, Exodus, 2006) bem com em várias revistas em formato digital e papel. Paulo Rodrigues Ferreira nasceu a 15 de Agosto de 1984 em Torres Vedras, o que justificou a sua inclusão nesta colecção autores torrienses. É licenciado em História e Mestrando em História Contemporânea na Universidade de Lisboa. Porque aqui não se quer fazer crítica literária, mas apenas dar notícia breve de alguns livros, dir-se-á deste apenas aquilo que se sentiu ao lê-lo e que se resume em duas palavras: gostámos muito. Acrescente-se que, se este livro peca, é por excesso, uma vez que são na verdade dois livros, e qualquer um por si só mereceria publicação. A finalizar, que fique claro que se recomenda vivamente a leitura de <strong>A Prisão do Ético</strong>, de que fica aqui um excerto: [<strong>Bloch</strong>] «Duas crianças incendiaram o corpo de um mendigo e, durante sete dias, alimentaram o fogo a gasolina e petróleo. Dir-se-ia que, em pouco menos de uma semana, duas crianças fundaram uma nova religião.»]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=a_prisao_do_etico</link>
<pubDate>07-05-2009 10:11:05</pubDate>
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<title><![CDATA[Memória doutro rio]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/memoria_doutro_rio.jpg"></img><pre>
</pre>É comum aludir à ausência de descrição como uma das características que definem a micronarrativa. E, contudo, há textos breves que nos deixam uma impressão parecida com a memória que resta duma história longa que se leu há muito tempo... Não será então natural, por vezes, essa impressão prender-se mais a uma descrição marcante do que a um pormenor narrativo marcante? Esta pequena subversão é porventura o principal desafio que <strong>Memória doutro rio</strong> – um dos dois volumes que Eugénio de Andrade dedicou à poesia em prosa – propõe ao amante da prosa breve. «Abrir as mãos. Como se o vento fora a maravilha. Acariciar-lhe a crina, a lentíssima garganta. Deixá-lo partir, jovem ainda. Com as primeiras chuvas.» (p. 28) Cada destes textos (que, na sua maioria, não ocupam mais de meia página) dir-se-ia o resultado dum empenho profundo em minimizar o equívoco de escrever aquilo que se quer apenas fazer sentir. «Por que palavra começar, por que desordem?», questiona-se o autor logo à partida. Se este volume data inteiramente de 1976 e 1977, já a restante poesia em prosa que Andrade escreveu foi sendo gradualmente agregada em sucessivas edições de <strong>Vertentes do olhar</strong>, acabando em 2001 por abranger mais de meio século.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=memoria_doutro_rio</link>
<pubDate>14-03-2009 13:52:59</pubDate>
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<title><![CDATA[A ovelha negra e outras fábulas]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/a_ovelha_negra_e_outras_fabulas.jpg"></img><pre>
</pre>Augusto Monterroso (1921-2003), escritor guatemalteco nascido nas Honduras e que passou quase toda a vida no México, publicou, em 1959, <strong>El dinosaurio</strong>, um clássico da microficção. Dez anos mais tarde seria a vez de <strong>A ovelha negra e outras fábulas</strong>, escrito após apuradas observações da fauna do jardim zoológico da Cidade do México. Neste conjunto de quarenta e uma histórias repletas de humor, mordacidade e imaginação, o autor retrata os paradoxos da espécie humana através dos animais, em contos com títulos como <strong>O Macaco que queria ser um escritor satírico</strong> (p. 15), <strong>O Mocho que queria salvar a humanidade</strong> (p. 33), <strong>A Rã que queria ser uma rã autêntica</strong> (p. 57), <strong>A Girafa que depressa compreendeu que tudo é relativo</strong> (p. 45) ou <strong>O Cão que desejava ser um humano</strong> (p. 75), denotando uma clara construção parabólica. Fiquemos com o kafkiano <strong>A Barata sonhadora</strong>, sobre o qual se escreveram já algumas variações: «Era uma vez uma Barata chamada Gregório Samsa que sonhava que era uma Barata chamada Franz Kafka que sonhava que era um escritor que escrevia sobre um empregado chamado Gregório Samsa que sonhava que era uma Barata» (p. 53). Um livro intemporal e imprescindível em qualquer estante.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=a_ovelha_negra_e_outras_fabulas</link>
<pubDate>26-10-2008 13:11:32</pubDate>
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<title><![CDATA[Caravana]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/caravana.jpg"></img><pre>
</pre>Nesta <strong>Caravana</strong>, Rui Manuel Amaral (n. 1973) oferece-nos um conjunto de seis dezenas de estórias conduzidas por uma hábil e apurada ironia e por um absurdo muitas vezes próximo do surreal. Há situações bizarras vividas por personagens com nomes extravagantes, há animais, plantas e seres inanimados como protagonistas (quase sempre antropomorfizados) e toda uma panóplia de loucura saudável que tenta, paradoxalmente ou talvez não, dar alguma coerência a este mundo tão incoerente. São também várias as referências à literatura, o uso do trocadilho e de jogos com os múltiplos significados das palavras. Se pode afirmar-se que Daniil Harms, Gógol e Mário-Henrique Leiria, entre outros, viajam nesta <strong>Caravana</strong>, também facilmente se conclui que não beliscam minimamente a originalidade do autor. Um ou outro conto roça o território da anedota como este <strong>Amor platónico</strong>: «Para passar o tempo, Platão decidiu divertir-se à custa da sensibilidade de certos poetas. Pois bem, o que fez Platão? Inventou o amor platónico. / Depois, aborrecido com a sua própria invenção, saiu de casa e foi às putas» (p. 69). Uma última nota para as ilustrações de Francisco Costa que ajudam a tornar este livro ainda mais agradável de folhear... enquanto os cães ladram.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=caravana</link>
<pubDate>25-07-2008 19:25:02</pubDate>
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<title><![CDATA[Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/primeira_antologia_de_microficcao_portuguesa.jpg"></img><pre>
</pre>Pequena mas encorpada, a <strong>Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa</strong> tem um prefácio contextualizador, um leque variado de autores e textos representativos de muitos dos caminhos da dita micro-ficção portuguesa. Os 22 autores seleccionados enchem 144 páginas, desenvolvendo-se as narrativas nos limites da anedota, do aforismo, da história com moral, do diário e do poema em prosa, podendo dizer-se que há de tudo, ou quase tudo, o que numa antologia deveria haver. Significativo que a grande maioria desses autores escreva na Internet, e muito pertinente que a indicação do blogue de cada um figure, página após página, a par do nome do autor. Dois vislumbres, <strong>Hábitos</strong>, de Fernando Gomes: «O monge nunca se despia quando fornicava. Largar hábitos não era com ele». E <strong>Sombra</strong>, de Maria João Fernandes: «Sabes que não te moves apenas com o princípio do prazer? Entre a existência e a realidade o teu corpo projecta-se no espaço com uma forma temporal que segue os teus gestos ou os impulsos que te movem. Um dia a sombra vai-te apanhar, mesmo que não queiras. A minha já me bateu no ombro esquerdo na última vez que estive em Amesterdão. Até lá, aproveita bem.»]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=primeira_antologia_de_microficcao_portuguesa</link>
<pubDate>02-04-2008 5:58:11</pubDate>
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<title><![CDATA[contos de algibeira]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/contos_de_algibeira.jpg"></img><pre>
</pre>Antologia organizada por Laís Chaffe, <strong>contos de algibeira</strong> é o terceiro volume da <em>Série Lilliput</em> da <a target="_blank" href="http://casaverde.art.br">Casa Verde</a>. Apesar de reunir mais de cem textos ligados pelo Atlântico português à razão de um por autor, a representação brasileira é de cerca de dois terços do livro, o que em grande parte se justifica por este género literário se encontrar bem mais enraizado no Brasil do que no restante espaço lusófono. Diversidade talvez seja o que melhor define esta edição: diversidade temática, diversidade de linguagem, diversidade de estilos... que demonstram claramente ser este um género muito rico, não apenas limitado à mera tirada anedótica. Um texto do Brasil, <strong>Mãe</strong>, de Claudio Parreira: «A minha mãe vem da morte pra me visitar. / Diz que estou magro, que só engordo palavras, solitário demais neste mundo que se faz a dois; que sabe dos meus cigarros e que lamenta as minhas garrafas. / Essa aí a minha mãe, que ocupa a sua morte com a minha vida» (p. 70). E um de Portugal, <strong>Romance niilista</strong>, de Alexandre Borges: «Temos a relação mais estável de todos os nossos amigos – há anos que conseguimos não ter rigorosamente nada um com o outro» (p. 18).]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=contos_de_algibeira</link>
<pubDate>07-03-2008 16:49:02</pubDate>
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<title><![CDATA[Platero e Eu]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/platero_e_eu.jpg"></img><pre>
</pre>Normalmente apresentado como um livro de poemas em prosa, <strong>Platero e Eu</strong> é um dos livros maiores do Prémio Nobel Juan Ramón Jiménez (1881-1958). Juan Ramón nasceu em Moguer, no sul da Andaluzia, estudou num colégio de jesuítas, tendo ido posteriormente para Sevilha estudar Direito. Começou a publicar poemas em jornais, decorria o ano de 1897. De saúde frágil e habituado à vida tranquila das pequenas cidades, esteve várias vezes internado em estabelecimentos psiquiátricos. Os seus primeiros livros apareceram em 1900. <strong>Platero e Eu</strong> surge em 1915, mas a primeira edição completa data de 1917. Trata-se dum conjunto de estórias que relatam a relação amistosa entre um burro e um homem. O tema, algo bucólico, permite ao autor descrever com absoluta clareza a vida campesina, as carências e as contradições do mundo rural, o ambiente em que vivem as pessoas simples da aldeia. No entanto, não se limita a descrever com inocência e candura esse ambiente, preferindo, de modo subtil, introduzir nas estórias elementos críticos, de índole social e política: «O homem quer espetar o aguilhão de ferro na ceira, e eu evito-o. Abro o alforge e ele não vê nada. E o alimento ideal passa, livre e cândido, sem pagar impostos...»]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=platero_e_eu</link>
<pubDate>05-12-2007</pubDate>
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<title><![CDATA[adeusamália]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/adeusamalia.jpg"></img><pre>
</pre>Manuel da Silva Ramos nasceu na Covilhã em 1947. Estudou Direito, exilou-se em França no ano de 1970, tendo regressado a Portugal apenas em 1997. Segundo a biografia oficial, começou a escrever aos 12 anos, publicou poemas e contos em jornais nacionais e, aos 21 anos, ganhou o Prémio de Novelística Almeida Garrett com <strong>Os Três Seios de Novélia</strong> (1969), que marca a estreia em livro do autor. Só voltaria a publicar muito mais tarde, em parceria com Alface. Dono de uma obra fora do comum, Manuel da Silva Ramos destaca-se por cultivar uma escrita bastante singular e inclassificável. <strong>ADEUSAMÁLIA</strong> é um desses livros que nos atrai, desde logo, por ser um livro sem género. Diremos que se trata de uma homenagem à deusa do fado português, escrito sobre a forma de uma anáfora, que resulta, ao mesmo tempo, no retrato de um país. A morte de Amália despoleta memórias, Manuel da Silva Ramos limita-se a evocá-las de um modo que só não nos parece automático por estar organizado cronologicamente. Cada frase, separada por um intervalo de linhas, à excepção de um ou outro texto mais desenvolvido, é como que uma micronarrativa memorialística. Porque com Amália morreu o povo português. ]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=adeusamalia</link>
<pubDate>05-12-2007</pubDate>
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<title><![CDATA[Sem Contos Longos]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/sem_contos_longos.jpg"></img><pre>
</pre><strong>Sem Contos Longos</strong> é o primeiro livro de Wilson Gorj (n. 1977), natural de Aparecida, S. Paulo. Cem microcontos em formato de bolso e edição de autor, que denotam preocupação com o ritmo e a musicalidade das palavras – facto a que não é alheia a sua condição de músico. Humor e ironia, várias vezes salpicados por um tom melancólico,  convivem num conjunto de «estórias» por onde perpassa um olhar atento aos pormenores do quotidiano e ao espírito humano – como neste «A solteirona perdera a conta de quantas velas acendera de rogo a Santo Antônio. / Na solidão do seu quarto, ela também se consumia em vão.» Mas o autor é também muito eficaz quando alia o registo anedótico à crítica social. Por exemplo: «Ao redor do mágico, comprimia-se a criançada a fim de ver as coisas que ele retirava da cartola: coelho, buquê de flores, metros e metros de lenços amarrados... / Até então excluído, o menino maltrapilho venceu a vergonha e aproximou-se. / – Tem como tirar daí um prato de comida?». Apraz-nos ainda registar que a <strong>Minguante</strong> contribuiu de modo decisivo para estimular Wilson Gorj a desenvolver o seu interesse pela micronarrativa. Venham os próximos cem!]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=sem_contos_longos</link>
<pubDate>28-09-2007</pubDate>
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<title><![CDATA[Crónicas Americanas]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/cronicas_americanas.jpg"></img><pre>
</pre>Sam Shepard é mais conhecido pelas peças de teatro que escreveu e pelos filmes onde entrou como actor. Em 1982 publicou as <strong>Motel Chronicles</strong>, traduzidas para português, com o título <strong>Crónicas Americanas</strong>, por João Vieira Lima. Este pequeno volume reúne vários apontamentos, por vezes em verso, que se aproximam da estória de cariz autobiográfico. Mas Shepard não se fica por um realismo vazio, optando antes, numa escrita escorreita, em frases muito curtas, por relevar os aspectos mais absurdos de uma vida errante e atribulada. Tanto fala da convalescença da mãe como duma suposta tendência para o sonambulismo, da primeira vez que fugiu à escola como das bebedeiras apanhados com os amigos nos tempos da adolescência. Depois há aqueles fragmentos que justificam sobremaneira a inclusão deste livro na nossa biblioteca: «Há uma borboleta Monarch morta no passeio, em Ozona. A brisa fá-la vaguear de um lado para o outro. Durante todo o dia, borboletas têm vindo a esmagar-se contra o meu pára-brisas, deixando estilhaços rosa e ouro por todo o vidro. Vi uma desabar do céu, na vertical, e esmagar-se na superfície negra da auto-estrada 10 Leste. Esta deve ser a época do ano em que têm que morrer. (p. 49)»]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=cronicas_americanas</link>
<pubDate>20-09-2007</pubDate>
</item>
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<title><![CDATA[Estórias Domésticas]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/estorias_domesticas.jpg"></img><pre>
</pre>A abrir <strong>Estórias Domésticas</strong>, Henrique Manuel Bento Fialho (n. 1974) diz, com uma clareza de fazer inveja, que é uma obra incompleta e recomenda: «Se a quiser arrumar numa estante, sugiro-lhe um lugar entre as prosas e os poemas. Um lugar de problemas.» É obrigatório concordar. O território desta obra tem fronteiras ambíguas, mas arriscamo-nos a dizer que tem um nome preciso: micronarrativa. «Lugar de problemas» poderia muito bem caracterizar a micronarrativa, verdadeiro espaço de choques e de fusões. Das quatro partes que compõem o livro — <strong>Estes livros sem interesse</strong>, <strong>Mesas privadas</strong>, <strong>Estórias domésticas</strong> e <strong>As favas contadas</strong> — é sem dúvida a que lhe dá o nome que mais facilmente integra aquela categoria. Num passeio pela casa assistimos à transfiguração, num verdadeiro passe de magia, de vários objectos e actos do dia-a-dia. A ambiguidade, a intensidade, o humor e a ironia que animam estes textos formam uma extraordinária mistura, proporcionando verdadeiras iluminações, como neste caso: «Os castiçais só estavam na sala para velarem o candeeiro.» Ou neste: «Ao levantar-se do sofá, o homem pôs as mãos nos quadris e queixou-se: “Ai, ai, os anos já pesam”. Mesmo à sua frente, a velha estante dos livros, cheia e curvada, concordou.»]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=estorias_domesticas</link>
<pubDate>12-09-2007</pubDate>
</item>
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<title><![CDATA[Histórias de 1 minuto, vol. 1]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/historias_de_1_minuto_vol_1.jpg"></img><pre>
</pre>Do húngaro István Örkény (1912-1979), publicou a Cavalo de Ferro, em 2004, um primeiro volume de <strong>Histórias de 1 minuto</strong>. Uma segunda edição foi feita no mesmo ano, pelo que somos levados a crer serem estas histórias de sucesso entre nós. Bem o merecem. Örkény formou-se em Engenharia Química e Farmácia antes de haver sido feito prisioneiro de guerra, decorria o ano de 1943. Posteriormente, trabalhou como dramaturgo e editor, mas cedo sentiu o peso do Realismo Socialista então em vigor. As suas estórias, muitas das quais não ocupam meia página, falam de mortos ressuscitados, violetas suicidas, espectadores transformados em actores e vice-versa, numa atitude de colocar o mundo às avessas para, mostrando o lado menos visível do mundo, ser este mostrado tal qual é. Piroska Felkai, tradutora desta excelente colectânea, refere, no prefácio, uma <em>distorção tragicómica da realidade humana</em>. Mas esta distorção, é bom que se diga, parte sempre dessa mesma realidade, denotando por vezes um tom bastante crítico, em forma de parábola, do mundo social e político em que o autor viveu. Tal atitude valeu-lhe o ter sido praticamente banido das letras, sendo apenas reabilitado já na segunda metade da década de 1960. Lê-se depressa, mas faz pensar.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=historias_de_1_minuto_vol_1</link>
<pubDate>02-09-2007</pubDate>
</item>
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<title><![CDATA[A mais nova profissão do mundo]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/a_mais_nova_profissao_do_mundo.jpg"></img><pre>
</pre>Reúnem-se neste volume as duas colectâneas de contos que o escritor Alface (1949-2007), recentemente desaparecido, publicou em vida: <strong>Cuidado Com os Rapazes e Outras Histórias</strong> (1995) e <strong>O fim das Bichas é o Princípio das Filas</strong> (1999). A nossa preferência vai para a primeira, que encerra com uma micronarrativa precedida de duas fábulas e dois conjuntos de estórias intitulados <strong>Narrativas</strong> e <strong>Lugares</strong>. João Alfacinha da Silva foi um exímio praticante da <em>short story</em>, que povoava de personagens tão maldosas quão desajeitas, tão enternecedoras quão desprezíveis. Dotado de um humor impiedoso e singularíssimo, não enjeitava a metáfora, uma certa inclinação para o hiperbólico, a linguagem anómala e dessolenizada das pessoas comuns. Velhos, principalmente a figura do avô, prostitutas, criancinhas, homens honestos mas infelizes, dão corpo a situações insólitas e incríveis, mas também a rasgos de humorismo sobre a aparente banalidade de todos os dias. E há aquele delicioso olhar malandro sobre as <em>pequenas catástrofes domésticas</em>, os <em>desvarios colectivos</em>, a dura verdade do amor carnal, os desgostos de amor, numa espécie de moral sem moralismos. Um estilo muito próprio de brincar com o leitor: «Sempre quis escrever uma história que começasse por <em>Era uma vez</em>. / Ainda não é desta» (p. 31). ]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=a_mais_nova_profissao_do_mundo</link>
<pubDate>28-08-2007</pubDate>
</item>
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<title><![CDATA[Esopo emendado & outras fábulas fantásticas]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/esopo_emendado.jpg"></img><pre>
</pre>Pessimista e cínica são epítetos comummente utilizados para caracterizar a obra do americano Ambrose Bierce (1842-1914?). Homem de múltiplos ofícios, dedicou-se ao jornalismo e à literatura a partir de 1867, com um conhecimento bastante prático e aprofundado dos meandros que reinavam na vida política. Foi um exímio e incansável praticante das formas literárias mais concisas, de entre as quais se destacam as suas <strong>Fantastic Fables</strong> (1899). É uma amostra deste seu estro que Fernando Gonçalves reúne neste volume, publicado em 1996, com um prefácio do qual destacamos uma pertinente distinção entre humor e <em>wit</em>. Nas fábulas de Bierce há <em>wit</em>, ou seja, humor que «apunhala, pede perdão, para logo de seguida cravar o punhal até ao fundo». São sátiras muito breves da vida social e política, com especial atenção votada aos homens do poder e às mulheres. Mas o povo também não escapa. <strong>O COSTUME</strong>: «Aborrecido por uma Consideração Irrelevante, o Ponto em Discussão ordenou-lhe que não mais se fizesse ouvir; esta, no entanto, puxou a saia e passou-lhe por cima, por entre os aplausos do povo» (p. 79). Já na recolha intitulada <strong>Aesopus emendatus</strong>, da qual se publicam aqui breves exemplares, são as famosas fábulas de Esopo fabulosamente subvertidas.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=esopo_emendado_outras_fabulas_fantasticas</link>
<pubDate>23-08-2007</pubDate>
</item>
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<title><![CDATA[Crónicas da Razão Louca]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/cronicas_da_razao_louca.jpg"></img><pre>
</pre>Em 1994 a Hiena publicou entre nós esta colectânea de Daniil Harms (1905-1942), malogrado escritor russo a quem devemos a autoria de algumas das mais inspiradas <em>short stories</em> alguma vez escritas. Poeta com um único poema impresso em vida, Harms dedicou-se aos contos infantis e à prosa curta de cariz absurdo. Acusado de «inimigo da classe operária», distribuiu muitos dos seus contos de mão em mão. Acabou detido e internado num hospital psiquiátrico. O seu estilo é o do <em>nonsense</em>, geralmente fundado em situações absolutamente vulgares com desenlaces inesperados. Mas por vezes o inesperado é logo introduzido no início da história, como acontece no conto que abre esta colectânea. A estranheza provocada por alguns desfechos, algumas metáforas facilmente associáveis ao clima de perseguição soviético, a ironia e a inclinação para a ausência de sentido, são algumas das marcas essenciais destas estórias, pautadas também por uma espécie de suspensão do extraordinário que desconcerta precisamente pela sua invulgaridade. Isto é, a excepcionalidade dos contos de Harms reside no facto de não pretenderem ser excepcionais senão pelo carácter inusitado do que relatam e de como o relatam. Nesta selecção, assinada por Sérgio Moita, encontramos uma pequena, mas nobre, amostra da arte de Daniil Harms. ]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=cronicas_da_razao_louca</link>
<pubDate>21-08-2007</pubDate>
</item>
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<title><![CDATA[O Poeta Nu]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/o_poeta_nu.jpg"></img><pre>
</pre>Jorge Sousa Braga (n. 1957), médico de profissão, reuniu pela primeira vez o seu trabalho poético em 1991. Acrescentam-se agora os títulos publicados posteriormente, à excepção de <strong>Herbário</strong> (1999), volume distinguido com o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens. Além de poeta e médico, Jorge Sousa Braga tem sido tradutor de, entre outros, alguns autores orientais, assim como incansável antologiador. Tal actividade permite compreender melhor algumas das inclinações da poesia do autor de <strong>Fogo Sobre Fogo</strong> (1998) – notável volume de <em>haikus</em> escritos em língua portuguesa. À simplicidade e ao erotismo, acresce a ironia, o culto do poema em prosa, a provocação assumida no título inicial <strong>De Manhã Vamos Todos Acordar Com Uma Pérola No Cu</strong> (1981). Reforcemos a vertente narrativa. <strong>A Greve dos Controladores de Voo</strong> (1984) é um desses livros que poderíamos hoje classificar de micronarrativos. O tom glosa o texto jornalístico, recria historietas que, em Portugal, encontram paralelo apenas em alguns momentos nas obras de Mário-Henrique Leiria e Ana Hatherly: «Era quase tão bela como a Vénus de Milo. Um dia cortou os braços a sangue frio» (p. 36). O trocadilho, o cómico, o absurdo, o surreal, fundam-se aqui numa satirizarão pertinente da realidade. Imprescindível. ]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=o_poeta_nu</link>
<pubDate>17-08-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Louco]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/o_louco.jpg"></img><pre>
</pre>Khalil Gibran nasceu no Líbano em 1883 e faleceu, em Nova Iorque, no ano de 1931. Ensaísta, ficcionista, poeta, pintor, é autor de uma obra assaz popular, quiçá pela sua vertente mística de tipo moralista. Os seus temas são os que encontramos disseminados pela literatura universal, nomeadamente pela que tem origem a Oriente: o amor, a natureza, a família, a sociedade. Em Abril de 1997, foi publicada entre nós esta colectânea de poemas em prosa de Gibran. A fronteira entre o poema em prosa e a narrativa breve é praticamente inexistente nestes textos, o que se nota logo naquele que deu nome à colectânea: <strong>O Louco</strong>, escrito em 1918. Oscilando entre a parábola e a fábula, há nos textos que compõem este volume uma espécie de elogio da liberdade e da autenticidade, o apelo para uma vida contemplativa, desagrilhoada das aparências, simples, entregue ao amor, mas questionadora das fronteiras que separam o pecado da virtude. Note-se essa dualidade, a título de exemplo, neste <strong>Na Escadaria do Templo</strong>: «À tarde, na escadaria de mármore do templo encontrei uma mulher sentada entre dois homens. / Uma face da mulher estava pálida, a outra corada» (p. 26). Vale o tempo de uma leitura.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=o_louco</link>
<pubDate>17-08-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Antologia de Páginas Íntimas]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/antologia_de_paginas_intimas.jpg"></img><pre>
</pre>A presença desta antologia na nossa estante explica-se pelas <em>Meditações sobre o pecado, o sofrimento, a esperança e o verdadeiro caminho</em>, conjunto de 109 aforismos numerados onde encontramos textos que se aproximam daquilo a que gostamos chamar de micronarrativa: «Uma gaiola partiu à procura de um pássaro» (p. 145). Mas esta colectânea, seleccionada por Alfredo Margarido, vale pelo todo. Além dos aforismos, encontramos nela fragmentos de vários diários, um esboço de uma autobiografia, a imprescindível <em>Carta ao Pai</em> e meditações diversas: «Sentia-o na têmpora como a parede sente a ponta do prego que nela deve ser enterrada. Não o sentia portanto» (p. 171). Franz Kafka, nascido em Praga a 3 de Julho de 1883, não teve em vida uma carreira literária auspiciosa. Morreu a 3 de Junho de 1924, internado num sanatório, vítima de tuberculose. É hoje um autor essencial, imprescindível em qualquer biblioteca merecedora de tal nome. Foi autor de alguns dos mais extraordinários contos de que à memória. Basta lembrarmos <strong>A Metamorfose</strong> ou <strong>O Covil</strong>. Poucos são os autores de uma obra que se transforma em conceito. Kafka preencheu-nos o dicionário com o seu nome. Pena que hoje, vulgarizado o termo kafkiano, poucos saibam o seu verdadeiro significado.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=antologia_de_paginas_intimas</link>
<pubDate>17-08-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Cavalo Económico]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/o_cavalo_economico.jpg"></img><pre>
</pre>Nascido galego, Anxo Pastor (n. 1959) é talvez mais conhecido como pintor e ilustrador. Não obstante, a sua veia poética deu à estampa alguns belos exemplares. Estreou-se nas letras em 1987, com o volume <strong>Os poemas da secta</strong>. Após algumas edições de autor, publicou, em 1998, <strong>O cavalo económico</strong>. Breve compêndio de pequenas histórias, ou de poemas em prosa com personagens dentro, destaca-se pelos argumentos insólitos: um caçador e um espião de sombras, alguém que passa a vida a ser confundido, um conferencista de pequenas palavras viscosas, um órfão de madeira, o grande odiador, ovos de génios, uma gota obstinada, feridas narcisistas. Belo exemplo, é este <strong>Poupança de céu</strong>: «Também o céu poupa, diz-me X, depois de muito andar pelo solo, posso dizer-lhe que o céu não suporta inquisitivos olhares, um céu semeado de olhares perderia a sua natural confiança de céu, e nós perderíamos esse prestigiante chapéu, esse anónimo telheiro azul» (p. 25). Termina o volume com uma série de imagens soltas a que foi dado o título de <strong>Golpes de Vento</strong>. Gostamos deste: «Um homem cheio de manias, que as acumula, que não se dá por satisfeito e inveja as manias alheias que ele não tem» (p. 32).]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=o_cavalo_economico</link>
<pubDate>29-07-2007</pubDate>
</item>
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<title><![CDATA[Fábulas]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/fabulas.jpg"></img><pre>
</pre>Italo Svevo (n. 1861), pseudónimo de Ettore Schmitz, nasceu em Trieste, Itália. Autor em vida de três romances fracassados, começou a sua efémera carreira literária publicando artigos de crítica. Só postumamente - morreu em 1928 - a sua obra foi descoberta e elogiada. Neste pequeno volume, segundo nota do editor, reordena-se a recolha efectuada por Umberto Appolonio e dada à estampa em 1954. Svevo nunca chegou a organizar as suas <strong>Fábulas</strong>, reunindo apenas algumas num dossier. Excelentemente ilustradas por André Ruivo, traduzidas por Célia Henriques, estas fábulas são uma lição de ironia e de pessimismo. Algumas delas resultam tão breves que, sem pejo, as designaremos de micronarrativas. Leia-se, por exemplo, <strong>A Lebre e o Automóvel</strong>: «Uma lebre estúpida viu passar um automóvel. “Oh! exclamou. Os homens inventaram a roda”» (p. 39). Mais do que transfigurarem características humanas nas figuras animais, estas pequenas estórias retratam o mundo nas suas contingências mais empobrecedoras: estupidez, infortúnio, desespero, inveja. Enriquecem o volume <strong>Três Histórias Animalistas</strong> e alguns fragmentos de um diário. A fechar, excertos das novelas <strong>A Consciência de Zeno</strong> e de <strong>Uma Mentira Bem Conseguida</strong>, a lembrar que muitas das fábulas de Italo Svevo foram incluídas «no corpo textual de novelas e romances».]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=fabulas</link>
<pubDate>09-07-2007</pubDate>
</item>
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<title><![CDATA[Os Melhores Contos Zen]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/os_melhores_contos_zen.jpg"></img><pre>
</pre>Nesta colectânea foram reunidos 21 pequenos contos provenientes do Japão, da China, da Índia e do Tibete. O denominador comum é a filosofia Zen, também por vezes chamada de «religião da serenidade». São histórias muito simples, ora introspectivas e filosóficas, ora bem-humoradas: «Quatro monges zen decidiram fazer um <em>sesshin</em> (espécie de retiro) em silêncio absoluto. Instalaram-se em <em>zazen</em>. Veio a noite. O frio cortante. / “A vela apagou-se!, diz o mais jovem dos monges. / – Não deves falar! É um <em>sesshin</em> de silêncio <em>total</em>, – observa severamente um monge mais velho. / – Porque falam, em vez de se calarem, como tinha sido combinado! – faz notar com humor um terceiro monge. / – Sou o único que não falou!”, diz com satisfação o quarto monge» (pp. 80-81). É provável que qualquer coisa tenha começado aqui, nesta vocação para a iniciação espiritual através de pequenas histórias que servem, mais do que tudo, como exemplos sinceros e básicos na transmissão de um tipo de conhecimento. Porque não há moral nestes contos, diremos que tendem a finalizar com uma espécie de aforismo, abrindo caminho à reflexão. Pelo que podemos afirmar ser esta uma colectânea de contos sempre inacabados, a pedirem novas leituras. ]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=os_melhores_contos_zen</link>
<pubDate>09-07-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Manual de civilidade para meninas]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/manual_de_civilidade_para_meninas.jpg"></img><pre>
</pre>Pierre Louÿs nasceu na Bélgica, em 1870, mas mudou-se cedo para França, onde passou a maior parte da sua vida. Amigo de André Gide e de Oscar Wilde, dedicou-se à escrita de cariz erótico. Fundou a revista <em>La Conque</em>, tendo aí publicado os seus primeiros poemas, por vezes em prosa, como aconteceu em <strong>Les Chansons de Bilitis</strong>. Autor prolífero, dividiu-se pela poesia, mais ou menos obscena, pela ficção e pelo ensaio, tendo ainda vasta produção epistolográfica e sendo autor de várias traduções. Morreu em 1925, de sífilis, cego, endividado, em solidão, ou seja, sem saúde mas cheio de vida. O <strong>Manual de Civilidade para Meninas</strong> foi publicado postumamente, em 1926. Júlio Henriques, o tradutor desta edição, define-o como uma «hilariante caricatura dos livros de moral para crianças». Os conselhos, todos relacionados com a vida sexual, distribuem-se pelos comportamentos a adoptar nas mais variadas situações quotidianas (dos comportamentos à mesa, passando pela confissão, até à vida no campo). Por vezes irónico e humorístico, outras vezes burlesco, quase sempre satírico, mas jamais hipócrita, como atesta o fragmento que reproduzimos: «Não deveis anunciar pela aldeia, em grande algazarra, que perdestes a virgindade. O homem que a tiver encontrado não vo-la devolverá» (p. 61). ]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=manual_de_civilidade_para_meninas</link>
<pubDate>01-07-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Corpo Enigmático]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/corpo_enigmatico.jpg"></img><pre>
</pre>Sobre António Augusto Sales pouco ou nada sabemos. É pena. Autor de uma competente biografia dedicada ao poeta António Botto, Sales publicou, em Maio de 1993, este curiosíssimo <strong>Corpo Enigmático</strong>. Subtitulado de crónica íntima, o <strong>Corpo Enigmático</strong> de António Augusto Sales resume-se a um conjunto de textos que configuram aquilo a que usualmente se dá o nome de poema em prosa. Por vezes, aparecem também em verso, mas o que importa aqui salientar é o seu lado narrativo e breve. Vislumbramos no seu interior pequenas <em>estórias</em> e uma certa vocação para o aforismo: «Um dia, num dos caminhos da serra de Sintra que é o melhor local para se estabelecer um diálogo com os mistérios da existência, surpreendi a vida a descansar sob a copa de uma árvore muitas vezes centenária. / Essa árvore não tem pressa, disse-lhe. Nem precisa, retorquiu. Ela espera pelo tempo e nós fugimos dele. É outra vida, a dela, que não a tua ou a minha» (p. 14). Há ainda momentos de erotismo impudente e de uma corrosiva ironia, como um incentivo à mentira, uma declaração de desamor à vida, um elogio da pornografia. Tudo porque «o nosso pecado é apresentarmo-nos sem pecado» (p. 34).]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=corpo_enigmatico</link>
<pubDate>12-06-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Os Mundos Separados Que Partilhamos]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/os_mundos_separados_que_partilhamos.jpg"></img><pre>
</pre><strong>Os Mundos Separados Que Partilhamos</strong> (2007) é a segunda colectânea de <em>estórias</em> de Paulo Kellerman publicada pela <strong>Deriva</strong>, depois do premiado <strong>Gastar Palavras</strong> (2006). Dizemos <em>estórias</em> por ser assim que o autor classifica os seus textos, híbridos oscilando entre o conto e a crónica íntima. Nestas <em>estórias</em>, Kellerman discorre sobre as relações a dois, sem maneirismos escusados, em prosa limpa, com olhar afinado na melancolia. São relações, que tanto podem ser entre homem e mulher, pai e filho, avô e neto, etc., que servem de pretexto a um retrato do mundo em que vivemos. O retrato acaba tingido pela banalidade contaminadora dos dias, a solidão, a rotina, o tédio e a monotonia, palavra, de resto, bastas vezes repetida ao longo das vinte <em>estórias</em> que compõem a presente colectânea. Por vezes, há um ou outro remate que quebra a previsibilidade da narrativa, logrando-se assim um efeito perturbador num conteúdo que pode resumir-se a isto: «Passo roupa a ferro, enquanto vou pensando como é ridícula esta rotina da roupa, usar, sujar, lavar, secar, passar, dobrar e depois repetir tudo, e repetir e repetir e não pensar nisso, ir repetindo, porque é disso que se fazem as vidas, repetição de repetições» (p. 30). ]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=os_mundos_separados_que_partilhamos</link>
<pubDate>12-06-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Melancómico]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/melancomico.jpg"></img><pre>
</pre>Nuno Costa Santos (n. 1974), que entrevistámos no n.º 1 da <strong>Minguante</strong>, arrumou em livro os «aforismos de pastelaria» que foi publicando no <em>weblog</em> <strong>Melancómico</strong>. Com o mesmo título, o volume agora editado é um curioso retrato do mundo actual, oscilando entre o humor e a melancolia, com especial enfoque nas vivências quotidianas. São aforismos brevíssimos, ora em discurso directo, ora servindo-se de personagens como Dona Bina e Márcio, pejados de referências a múltiplos aspectos da actualidade, desde espaços de convívio a outros de consumo, manias e tiques de um país algo perdido entre o neologismo e a sua tradição pícara. Os aforismos deste <strong>Melancómico</strong> assumem também, por vezes, uma propensão para a micronarrativa de cariz absurdo. Veja-se, a título de exemplo, este <strong>Suicida</strong>: «Era um comboio suicida. Tinha como objectivo matar-se debaixo de uma pessoa» (p. 65). Outro exemplo, desta feita sob a forma de diálogo, é esta <strong>Entrevista com o excluído</strong>: «- Como é que se definiria como pessoa? / - Eu sou aquele que, sempre que entra num retrato de grupo, nunca fica na fotografia» (p. 16). Que o lado cómico da obra se sobreponha à melancolia do olhar implícito dos textos, é apenas um mero pormenor.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=melancomico</link>
<pubDate>04-05-2007</pubDate>
</item>
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<title><![CDATA[A Morte Melancólica do Rapaz Ostra]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/a_morte_melancolica_do_rapaz_ostra.jpg"></img><pre>
</pre>Mais conhecido enquanto realizador de filmes como <strong>Eduardo Mãos-de-Tesoura</strong> (1990) e <strong>A Noiva-Cadáver</strong> (2005), Tim Burton (n. 1958) é também autor de um curioso e admirável livro intitulado <strong>A Morte Melancólica do Rapaz Ostra & Outras Estórias</strong>. Mudado para português por Margarida Vale de Gato, este volume reúne pequeníssimas estórias, escritas em verso, acompanhadas por ilustrações que nos remetem constantemente para o universo cinematográfico do autor. São estórias de uma infância matizada por um imaginário de dia das bruxas, repletas de personagens aberrantes mas, ao mesmo tempo, estranhamente afectuosas. É o caso, por exemplo, do <strong>Rapaz com Pregos nos Olhos</strong>: «O Rapaz com Pregos nos Olhos / montou a sua árvore de metal. / Parecia muito estranha / porque ele realmente via mal. (p. 29)» Condimentadas por um humor de tipo negro, as estórias de Tim Burton tanto dissimulam como hiperbolizam as dimensões absurdas do afecto, da vida familiar, do amor e da paixão, da infância. As personagens são dignas representantes de uma memória infantil em autêntico estado de expurgação, uma memória que resulta mais dum processo de reconstrução com recorrências diversas à imaginação do que uma memória reproduzida com a probidade de quem se confessa. Livro espantoso e belo.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=a_morte_melancolica_do_rapaz_ostra</link>
<pubDate>16-04-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A Alegria de Gostar]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/a_alegria_de_gostar.jpg"></img><pre>
</pre><strong>A Alegria de Gostar</strong> é a primeira proposta de uma nova editora, a Boca, que se distingue das demais por publicar <em>audiolivros</em>, ou seja, livros declamados e editados em CD, livros para serem escutados como quem lê no som das palavras o sentido dos textos. Começa muito bem, com este conjunto de poemas de amor para crianças do colombiano Jairo Aníbal Niño (n. 1941). São <em>estórias</em> em verso, de uma ternura e simplicidade desarmantes, que nos remetem para o tempo da infância, com uma componente narrativa que por vezes aparece camuflada em breves diálogos como neste <strong>Fazes-me um favor</strong>: «- Fazes-me um favor? / - Que tipo de favor? / - Guardas os meus aviõezinhos durante todo o recreio? / - Durante todo o recreio? / - Sim, que tu és o meu céu.» O <em>diseur</em> de serviço, a quem se deve igualmente a tradução para português dos poemas, é Changuito, acompanhado por Oriana Alves na voz e Amélia Muge na base sonora. Jairo Aníbal Niño é autor de contos infantis e peças de teatro, tendo-se estreado, porém, com um livro de poesia, <strong>Safari en el rosto</strong>, no ano de 1965. <strong>A Alegria de Gostar</strong> foi originalmente publicado em 1999.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=a_alegria_de_gostar</link>
<pubDate>15-04-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Lugares Comuns]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/lugares_comuns.jpg"></img><pre>
</pre><strong>Lugares Comuns</strong> ocupa um lugar <em>incomum</em> no corpo da obra que João Luís Barreto Guimarães (n. 1967) tem vindo a dar à estampa desde a estreia, em 1989, com a colectânea de sonetos intitulada <strong>Há Violinos na Tribo</strong>. Neste caso, o que temos é um livro de pequenas histórias – há quem lhes chame, por insistência, poemas em prosa – todas elas escritas à quinta-feira, numa mesa do Café Corcel, no Porto, entre o Outono de 1994 e o Verão de 1995. Publicado em Junho de 2000, na saudosa Mariposa Azual, este livro não poderia ser mais desconcertante, sobretudo se nos atentarmos aos tomos que o precederam. Os textos, devidamente datados, captam instantes da vida quotidiana, retratam os espaços de convívio com um sentido poético inusitado, indagam, como que <em>voyeuristicamente</em>, e com um sentido de humor bastante depurado, as malhas com que se costura o dia-a-dia urbano. Três exemplos, dos mais mínimos: «29 DE FEVEREIRO // O meu copo de água tinha menos goles do que o teu. (p. 37)»; «23 DE MAIO // Este fósforo corre risco de vida. (p. 52)»; «22 DE AGOSTO // À porta da casa de banho dos homens senta-se ocasionalmente, uma ou outra mulher. (p. 68)»]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=lugares_comuns</link>
<pubDate>09-04-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Bestiário]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/bestiario.jpg"></img><pre>
</pre><strong>Bestiário</strong>, de José Alberto Oliveira (n. 1952), foi editado na <em>Colecção Poesia Inédita Portuguesa</em>, da Assírio & Alvim. Faz todo o sentido. No entanto, não se trata de um livro de poemas no que um livro de poemas possa ter de mais convencional. Nesta colectânea, o autor de <strong>O que Vai Acontecer?</strong> reuniu exercícios poéticos próximos do <em>haiku</em> - «A CABRA desafia o vento / - o frio desce / das penhas. (p. 92)» -, com outros de tipo mais aforístico - «NADA DIREI  do crocodilo. / É um bicho tímido, reservado, a quem a realidade magoa os dentes. (p. 57)» -, quadras <em>nonsense</em> ao jeito de Edward Lear - «HAVIA UM HOMEM de Estremoz, / que vivia numa casca de noz, / até reparar que a rima era atroz, / esse homem plácido de Estremoz. (p. 73)» – e pequenos poemas em prosa a lembrarem tanto o miniconto como a micronarrativa. Bestiário serve-se da fábula para, com grande e afiada dose de humor, retirar uma certa carga dramática às velhas interrogações metafísicas. Vislumbramos ainda neste livro alguma preocupação em retratar o quotidiano sócio-político, de uma forma desinteressada mas com laivos de pessimismo e de desacreditação dos ideais estabelecidos. Bom livro.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=bestiario</link>
<pubDate>09-04-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Existe Um Homem...]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/existe_um_homem.jpg"></img><pre>
</pre>Apresentado na nota biográfica como «mestre do conto», de Fernando Sorrentino (n. 1942) conhecia-se, em edição portuguesa, apenas o conto que dá título à colectânea agora publicada: <strong>Existe Um Homem Que Tem O Costume De Me Dar Com Um Guarda-Chuva Na Cabeça</strong>. São dezoito contos provenientes de quatro livros do autor, histórias atravessadas por um registo tão absurdo quão inverosímil. Mas esse registo, que pode verificar-se por exemplo na ideia de um homem que persegue alguém para todo o lado, a toda a hora e a todo o instante, batendo-lhe com um chapéu-de-chuva na cabeça, não se pode dizer gratuito. A <em>short story</em> resvala amiúde para uma gratuitidade que pode resumir-se a uma <em>punchline</em> surpreendente. Não é o caso. Estes contos caracterizam-se antes pela introdução de um elemento anormal em situações normalíssimas, situações que nunca chegam a ser solucionadas. Elas dão azo a uma conexão com aspectos da normalidade, aqui entendida no sentido de regra social, que, por via de um absurdo em tom de «e se», leva a personagem do conto que dá título à colectânea a habituar-se de tal maneira à presença do homem que lhe bate com o guarda-chuva na cabeça que chega a angustiar-se «de pensar que, porventura quando mais necessitar dele, este homem se irá embora» (p. 13).]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=existe_um_homem</link>
<pubDate>05-03-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Pin da Bíblia]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/o_pin_da_biblia.jpg"></img><pre>
</pre>Espaço de experimentação por excelência, a revista <strong>Bíblia</strong> tem sido, desde 1996, um investimento pessoal do poeta Tiago Gomes (n. 1971). <strong>O Pin da Bíblia</strong> como que comemora 10 anos dessa actividade, reunindo poemas, prosas, ensaios, pequenas histórias, publicados num projecto que sempre soube aliar com equilíbrio o trabalho gráfico às letras. Dos prefácios a cargo de Fernando Aguiar e de Eduardo Pitta, citamos o carácter de <em>revista marginal</em> sublinhado pelo primeiro e o <em>cosmopolitismo</em> e <em>heterodoxia</em> relevados pelo segundo. São 38 os autores representados nesta primeira reunião de textos isolados do ruído gráfico da revista <strong>Bíblia</strong>. Destaque para as pequenas histórias de José Luís Peixoto, José Miguel Silva e Rui Zink. Deste último, reproduzimos um dos <strong>Fragmentos de Novais</strong>: «A hora da verdade. Neste momento são sete e um quarto. A que horas era a hora da verdade? Não me digas que já deu. Chatice, e eu que queria ter posto a gravar. Por acaso não conheces ninguém que tenha gravado a hora da verdade. Nem sabes se voltam a dar? (p. 257)» A revista <strong>Bíblia</strong> é um projecto de culto que merece ser acarinhado, pela saudável obstinação do seu mentor, mas também pelo tom refractário e pela atitude. ]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=o_pin_da_biblia</link>
<pubDate>05-03-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sobretudo as vozes]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/sobretudo_as_vozes.jpg"></img><pre>
</pre>Silvina Rodrigues Lopes (n. 1950) é talvez mais conhecida pela sua actividade como ensaísta. O conjunto de textos que compõem <strong>Sobretudo as vozes</strong> (Vendaval, 2004) começa por ser inclassificável logo na forma. Dizemo-lo de poemas em prosa, mas podíamos também falar de aforismos ou mininarrativas. Nenhuma dessas classificações delimitará, com maior ou menor pertinência, o campo de acção desta escrita que vale, principalmente, pela força com que procura «negar evidências». Ouçamos a voz: «Ouviu a ameaça do trovão e compreendeu o potro que morde o freio. Não abrandou o esforço para distinguir bem e mal, audácia e arrogância. Do lugar onde as vozes não eram audíveis retirava a energia dos números e das letras – a memória. Colocava-a no seu campo, o dos mortais, onde o desafio é um passo vital – encarar a morte sem terror. E das espadas surgiam asas, anunciações indeterminadas, a esperança. Um encolher de ombros e um sorriso, porque tudo podia ser de outra maneira. (p. 19)» <strong>Sobretudo as vozes</strong> é um livro que contagia por nele se erigir uma voz que nos lembra uma espécie de ontologia onde o ser das coisas respira no ser da palavra, ou seja, no ser daquilo que nomeia as coisas.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=sobretudo_as_vozes</link>
<pubDate>05-03-2007</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Parábolas e Fragmentos]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/parabolas_e_fragmentos.jpg"></img><pre>
</pre>É sabido que grande parte do que hoje existe publicado de Franz Kafka o foi após a sua morte. É também sabido da vontade de Kafka que nada fosse publicado para além do que ele mesmo determinou que o fosse. Mas hoje tudo isso é irrelevante e muito Kafka está aí para ser lido, como este <strong>Parábolas e Fragmentos</strong> que, de forma contundente, comprova a modernidade do autor e tantas leituras pós-modernas permite. A ler, com agrado e espanto renovados. Aqui se deixam dois exemplos, este fragmento: «Só existe um destino, nenhum caminho. Aquilo a que chamamos caminho é hesitação.»; e este: «As gralhas afirmam que uma única gralha era capaz de destruir o céu. Sem dúvida, mas isso não prova nada em desfavor do céu, porque os céus são precisamente o lugar impossível das gralhas.»
]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=parabolas_e_fragmentos</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Fragmentos são Sementes]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/fragmentos_sao_sementes.jpg"></img><pre>
</pre>Novalis (1772-1801), pseudónimo de Georg Philipp Friedrich Freiherr von Hardenberg, é um dos nomes maiores do Romantismo alemão. Completou os estudos de Direito na Universidade de Iena em 1793, tendo aí travado amizade com Schiller e Schlegel. Vítima de tuberculose ainda muito novo, da sua obra destacam-se os <strong>Hinos à Noite</strong> (1800), colecção de poemas em prosa e versos líricos, e os <strong>Fragmentos</strong> (1798). Estes são, segundo palavras do próprio, «uma sementeira literária», «a forma mais suportável da incompletude», «o fundo de todas as efectivas opiniões e ideias do mundo quotidiano». O que matiza a obra de Novalis é a ideia do homem como criador e destruidor da realidade, o homem que se assemelha à força criadora e devastadora da vontade divina. É esta ambiguidade essencial o que constitui a matriz dos seus fragmentos. Os fragmentos são o pensamento abreviado, a voz de um silêncio que aproxima aquele que pensa da verdade possível. Interessam-nos, particularmente, por isto: «Um conto é assim como uma imagem onírica - / sem conexão – um conjunto de coisas / e acontecimentos espantosos: / uma fantasia musical, / os acordes harmoniosos da harpa eólica, / a própria natureza». Selecção, tradução e ensaio de João Barrento.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=fragmentos_sao_sementes</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Frases para ter na carteira]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/frases_para_ter_na_carteira.jpg"></img><pre>
</pre>Entre outros méritos, o universo dos <em>weblogs</em> tem o de revelar talentos que, de outra forma, permaneceriam engavetados. Uma das práticas recorrentes nesse universo, até pela idiossincrasia do meio, é a do aforismo. O humor, a sátira, a ironia, são recursos literários sobejamente afinados no género, até porque muitas vezes o aforismo se confunde com o epigrama. Mas há também o fragmento à maneira de Novalis, em tom mais reflexivo, embora com o ónus de uma cultura alternativamente <em>pop</em>. As <strong>Frases para ter na carteira</strong>, seleccionadas e organizadas por Sara Pais, resultam de um <em>«trabalho de (re)corte e colagem»</em> com especial incidência nesse vasto mundo da denominada <em>blogosfera</em>. De 23 autores foram coligidas frases que podem ser classificadas de fragmentos - «<strong>Confessional</strong>: Só o possível é confessional. O impossível é (talvez) literatura.» (Pedro Mexia) -, epigramas - «<strong>Encefalograma</strong>: «As linhas da costa da ilha / vistas por quem chega de avião.» (Carlos Bessa) -, aforismos - «Dietas de hóstias não dão cus que enchem as calças.» (Tiago Cavaco) - e, em alguns casos, micronarrativas. É o caso, por exemplo, <strong>Do estudo da pose</strong>, de Rafael Miranda: «Estava tão obcecado pela pose que até na sanita traçava a perna.» ]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=frases_para_ter_na_carteira</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poemas em prosa]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/poemas_em_prosa.jpg"></img><pre>
</pre>Oscar Wilde nasceu em Dublin, Irlanda, no dia 16 de Outubro de 1854, tendo falecido, com apenas 46 anos, em 1900. A vida atribulada que levou, marcada por julgamentos e condenações, encarceramentos e trabalhos forçados, álcool e sífilis, tem sido, por vezes, um pretexto para deixar na penumbra a singularidade da sua obra. Mestre do paradoxo, Wilde foi um exímio contista, um poeta excepcional, um dramaturgo aclamado, assim como o autor de um dos mais extraordinários romances de sempre: <strong>O Retrato de Dorian Gray</strong>. Quem se der ao trabalho de ler os seus poemas em prosa, deparar-se-á com autênticos contos que, em alguns casos – tais como <strong>O Mestre</strong>, <strong>O Discípulo</strong>, <strong>O Artista</strong> –, não ultrapassam a meia página. Eis, portanto, mais um exemplo de como a história breve pode assumir múltiplas formas. Nesta edição portuguesa há ainda frases e máximas que não deixam lugar para dúvidas acerca da genialidade do seu autor. Um exemplo: «Nos exames, os idiotas fazem perguntas a que os sábios não podem responder.» Outro: «Antigamente, os livros eram escritos por gente de letras e lidos pelo público. Hoje em dia são escritos pelo público e lidos por ninguém.» A tradução é de Possidónio Cachapa.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=poemas_em_prosa</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[463 Tisanas]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/463_tisanas.jpg"></img><pre>
</pre>Ana Hatherly (n. 1929) é uma das mais conceituadas autoras portuguesas, sobretudo pelo contributo que deu à Poesia Experimental. As <em>Tisanas</em>, obra em construção desde 1969, data da edição das primeiras <strong>39 Tisanas</strong>, são um produto literário onde as suas incursões pelo Concreto-Experimentalismo são apenas residuais: <em>«o cerne da questão estrutural das Tisanas está na minha pesquisa das estruturas da narrativa»</em>. Nas mais recentes das agora dadas a lume <strong>463 Tisanas</strong>, encontramos um pouco de tudo. Há textos que obedecem a uma forma narrativa mais clássica, mas também textos de carácter eminentemente reflexivo e proverbial. Muitas vezes a autora entra em diálogo com outras obras, de Mallarmé a Rilke, de Picasso a Rothko, passando por Bach e Strauss. Outras vezes opta por um registo <em>diarístico</em>, onde as entradas narram situações, acontecimentos aparentemente vulgares e absurdos, lances quotidianos, ou reflectem digressões do pensamento sobre os gestos e os sinais do dia a dia. Como exemplo, a <em>Tisana 459</em>: «O artista, o poeta, o escritor, os que perguntam: todos são caçadores de simulacros, incansáveis calculadores de improbabilidades. Pombas ou abutres, frágeis canários ou escondidos melros, raspam, rasgam, rompem, sempre roendo as suas próprias garras. O invisível que há neles então emerge.»]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=463_tisanas</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
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<title><![CDATA[livro de maldições]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/livro_de_maldicoes.jpg"></img><pre>
</pre>Ex-editor das Quasi, actual mentor da Objecto Cardíaco, valter hugo mãe (n. 1971) é um dos mais destacados poetas portugueses da actualidade. Além dos livros de poesia, organizou várias antologias e publicou dois romances. A sua obra mais recente, <strong>livro de maldições</strong>, consiste numa safra de poemas em prosa onde o elemento narrativo não sai descurado. As situações relatadas surgem no seguimento de uma poesia com especial gosto pelo abjecto, pelo sórdido, pela heterodoxia. A componente metafórica é essencial, assim como um universo onde a sexualidade surge permanentemente envolta num manto de ambiguidades. Homens que vomitam tijolos, adúlteros, com anzóis brancos nascendo-lhes na cabeça, crianças que usam os pés como flores e estendem-se num jardim, personagens que comem pianos tecla a tecla, mulheres com finos cabelos de cristal, outras de onde saem larvas, tal como acontece às maçãs, habitam narrativas onde o alegórico convive com a feitiçaria da palavra. E depois há, por exemplo, este <strong>o poema formiga</strong>: «era um poema tão trabalhador que, a cada palavra, construía cidades inteiras. expunha nitidamente extensões como da terra ao sol e até incluía o tamanho de deus. tudo visível aos olhos humanos abertos em surpresa. era, contudo, um poema sucinto». ]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=livro_de_maldicoes</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
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<title><![CDATA[Dos cornudos: suas espécies e tipos]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/dos_cornudos.jpg"></img><pre>
</pre>Charles Fourier (1772-1837) foi um pensador heterodoxo hoje considerado percursor do comunismo. Publicado anteriormente na saudosa colecção contramargem, da & etc – com o título <strong>Quadro Analítico da Corneação</strong> – este <strong>Dos cornudos: suas espécies e tipos</strong> ressurgiu recentemente, na Cavalo de Ferro, com tradução da responsabilidade de Hélder Guégués. Ao tratado de Fourier acrescentaram-se preciosas referências biobibliográficas e um posfácio assinado por Roman Pehel. Vindo a lume em 1924, este inventário de elevada inspiração (a)moral foi redigido com a intenção de relevar os esquemas que a natureza arquitecta para se livrar das amarras civilizacionais. A amarra aqui em causa chama-se casamento, no contexto do qual o adultério aparece como a mais natural das alternativas. A razão da sociedade normalizada e moralizada é desmontada em dois inventários de tipos de homens cornudos: <strong>Os Cornudos de Ordem Simples</strong> e <strong>Os Cornudos de Ordem Composta</strong>. Eis um exemplo, para não desmoralizar eventuais leitores com dores de cabeça: «N.º 7. Cornudo puro e simples é um apaixonado respeitável que ignora a sua desgraça e não se presta nem um pouco às piadas por meio de bazófias ou medidas desastradas contra a esposa e os pretendentes. É, de todas as espécies de cornudos, a mais louvável.»]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=dos_cornudos_suas_especies_e_tipos</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Plataforma]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/plataforma.jpg"></img><pre>
</pre>Michel tem uma visão do mundo, do mundo tal como ele é e não propriamente como deveria ser, e essa visão revela-se naquilo que escreve. «Os órgãos sexuais existem como fonte permanente e disponível de prazer. (…) Se, de vez em quando, não houver um pouco de sexo, para que serviria a vida?» Mas será a visão de Michel, a personagem, a mesma que a do escritor, também ele Michel? E ainda que assim fosse, quererá isso dizer que o escritor defende a existência do mundo tal como o vê? A resposta a cada uma destas perguntas só pode ser uma: sim, e não. E vem isto a propósito da polémica que a obra de Michel levantou e continua a levantar. Mas vejamos, se eu constato que existem problemas raciais no mundo, por exemplo, isso fará de mim um racista? Ou um anti-racista? A verdade de cada escritor consiste em levantar possibilidades plausíveis, consiste em apresentar visões do mundo como ele é ou como ele poderia ser. E é isso que <a href="http://www.houellebecq.info/" target="blank">Michel Houellebecq</a> faz. Mas o melhor é ler o livro. «Viver sem leitura é perigoso, obriga a pessoa a viver a sua vida, comporta realmente muitos riscos.»]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=plataforma</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A Lenda de Despereaux]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/a_lenda_de_despereaux.jpg"></img><pre>
</pre>Será que a literatura se mede aos palmos? Será que existe uma literatura maior e uma literatura menor? <strong>A Lenda  de Despereaux</strong>, de <a href="http://www.katedicamillo.com/" target="_blank">Kate DiCamillo</a>, a história de um rato, uma princesa, uma colher de sopa e um carrinho de linhas, com ilustrações de Timothy Basil Ering, pode ser facilmente classificada, e menosprezada, como literatura infantil. Mas a narrativa avança com elegância e desenvoltura e, por diversas vezes, o leitor é interpelado a intervir. Contém ainda diversas ideias fortes, como o ser o amor ao mesmo tempo ridículo e poderoso, ou serem as histórias luz.<br>
«– Então, por que me salvarias?<br>
– Porque tu, rato, podes contar uma história ao Gregory. As histórias são luz. A luz é um tesouro, num mundo tão obscuro. Começa pelo princípio. Conta uma história ao Gregory. Dá-lhe luz.»<br>
E se isto não chegasse, vendeu mais de um milhão de exemplares só nos E.U.A. E ganhou uma série de importantes prémios. E... de que está à espera, Leitor, para ler o livro e decidir por si mesmo?<br><br>
P.S. Acrescente-se ainda que é um excelente livro, também enquanto objecto, de capa dura e lombada, com uma excelente relação entre qualidade e preço.
]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=a_lenda_de_despereaux</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Os Passos em Volta]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/os_passos_em_volta.jpg"></img><pre>
</pre>Herberto Helder é uma figura cimeira da literatura portuguesa contemporânea. A propósito de <strong>Os Passos em Volta</strong>, um verdadeiro clássico, pode dizer-se que é o poeta Herberto Helder, pela primeira vez, em prosa, e pouco importa se são pequenos contos ou pequenos poemas. São narrativas em volta, à volta de. À volta do amor, por exemplo, ou da inocência, da sua necessidade e da sua impossibilidade. E são também narrativas que se alimentam de solidão e de desespero. Um estilo, nada mais que um estilo, poder-se-ia dizer, como  diz o poeta no texto com o mesmo nome. Mas deixemo-lo falar. «O poeta não morre da morte da poesia. É o estilo.» Ou ainda… «Sou um neurótico, vê-se logo. Um egoísta. Deixem-me. Não vou amar o mundo. Estou-me nas tintas.» São frases curtas, certeiras, que se dobram e desdobram sem cessar em narrativas ínfimas, como no final de <strong>O coelacanto</strong>: «Deixou dito: vou procurar um coelacanto. E nunca mais voltou, nunca mais voltará.» É uma deambulação à procura de sentido. Para regressar é preciso ir, para não voltar é preciso algo mais. E volta-se sempre. Volta-se sempre a Herberto Helder. Volta-se sempre a <strong>Os Passos em Volta</strong>.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=os_passos_em_volta</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Os Ciclos do Bambu]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/os_ciclos_do_bambu.jpg"></img><pre>
</pre><strong>Os Ciclos do Bambu</strong> é uma compilação de contos escritos sob o signo do Oriente e das filosofias orientais. Esses contos, repletos de referências à filosofia taoista, com citações de haikus, evocações de provérbios chineses, escritos por vezes como se fossem «um mantra de palavras inventadas ou sonhadas», promovem um sossego e um equilíbrio que chega a ser estranho de tão desprezado vir sendo na literatura actual. O seu autor, Xavier Queipo (n. 1957), nasceu em Santiago mas vive em Bruxelas. Tem publicados, além de contos, romances e poesia. De uma meia dúzia de pequenos contos chineses, chamamos a atenção para este <strong>Sen Chuan O Choco</strong>: «Sen Chuan o choco mijava negro. Escrevia o seu nome com urina e todos admiravam a sua arte. O seu sonho foi sempre visitar a Grande Muralha e deixar ali a sua pegada caligráfica.» (p. 87) Há ainda uma «história de busca e aventura», exercícios de prosa obsessiva, «um fragmento de um diário antecipado», fragmentos de cadernos de viagens por Hong Kong, Cantão e Macau. Vale a pena ler, mais que não seja para pôr termo a esse preconceito segundo o qual toda a literatura ligeira é necessariamente vazia.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=os_ciclos_do_bambu</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[20 Poemas a Anton Webern]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/20_poemas_a_anton_webern.jpg"></img><pre>
</pre><strong>20 Poemas a Anton Webern seguido de Aventuras</strong> é um livro de Zé Luís Costa, com 10 desenhos de Tiago Cutileiro. Datados de 1996 e de 1997, estes textos só apareceram em livro no ano de 2005. Organizados de modo singular, os poemas surgem intitulados em conjuntos de dois, três, quatro, dando a sensação duma espécie de composição onde cada texto funciona como um acto duma série. São textos escritos em toada <em>nonsense</em>, deixando perceptível a inclinação surrealista. Repare-se, por exemplo, no jogo sintáctico que remata o primeiro poema: «A cabeça da parede dentro da boca do leão da água.» (p. 11) Zé Luís Costa logra um efeito de absurdização da realidade, nomeadamente dos gestos quotidianos mais banais. No caso, a «explosão de um cano de água». Anton Webern, compositor austríaco, aparece como personagem central, quase sempre em contexto familiar e quotidiano. Na segunda parte do livro, mantém-se o estilo de composição mas as personagens são outras. O nome do músico austríaco dá lugar a personagens diversas: «Muito compactados, os pássaros chocavam e empurravam-se uns aos outros para a frente. O pico da montanha mais alta ficava a milhares e milhares de quilómetros abaixo.» (p. 72)]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=20_poemas_a_anton_webern</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Senhor Porco]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/senhor_porco.jpg"></img><pre>
</pre>António Guerreiro referiu-se a <strong>Senhor Porco</strong>, no jornal Expresso, como <em>«um tratado de ética que concede ao porco um valor alegórico e o transforma num emblema universal.»</em> A escrita de Jorge Roque passeia-se pelo lugar do indefinível. Não é propriamente poesia, também não é prosa. Não é filosofia. É qualquer coisa que assume todas essas forças expressivas sob a forma aforística. Este <strong>Senhor Porco</strong>, magistralmente ilustrado por Guilherme Faria, é mormente caricatural. Tem um propósito: «não deixar calar o grito do homem.» (p. 7) Mas quem é o porco? «Pode dizer-se que o porco é um homem degenerado (não sou, de resto, o primeiro a dizê-lo). A originalidade é que degeneração significa para ele progresso.» (p. 31) No fundo, o porco é o pragmático dos dias de hoje, é o indivíduo bem sucedido que a sociedade de consumo fabricou nas pocilgas da informação. É o homem de sucesso que, em prol da sua ideia de sucesso, converteu os valores em mercadoria. São todos aqueles que abdicaram da coragem, do combate, do grito, deixando-se amestrar pelo medo: «Não se sabe aonde vai dar, como vai ser, quem o será. Sabe-se que viver porco é nunca ter nascido.» (p. 47)]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=senhor_porco</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Crimes Exemplares]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/crimes_exemplares.jpg"></img><pre>
</pre>Nascido em Paris em 1903, filho de pai alemão e de mãe francesa, Max Aub mudou-se para Valência em 1914. Novelista, poeta, ensaísta e dramaturgo, dirigiu entre 1935 e 1936 o teatro universitário <strong>El búho</strong>. Deportado para a Argélia durante a guerra, daí conseguiu escapar, em 1942, mudando-se para o México, onde publicou a maior parte da sua obra literária, entre a qual se encontram estes <strong>Crimes Exemplares</strong>. Obra de um realismo desarmante, consiste numa recolha, ao longo de mais de 20 anos, de confissões de crimes. O que impressiona nestas confissões, em forma de micronarrativas, é a frugalidade dos motivos para matar, a frieza dos confessores no relato dos acontecimentos, o olhar frio que lançam sobre as suas vítimas, o tom absurdo da maior parte dos relatos. O crime, como sabemos, foi sempre um dos elementos essenciais de qualquer forma narrativa. Neste caso aparece em registo mínimo e, talvez por isso, mais cruel que nunca. Entre muitos possíveis, escolhemos este: «Rachei-a de alto a baixo, como um animal, porque ela contava as moscas no tecto enquanto fazíamos amor.» E mais este: «- Antes morrer! Disse-me ela. E pensar que o que eu mais gostava era fazer-lhe a vontade.»]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=crimes_exemplares</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Spleen de Paris]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/o_spleen_de_paris.jpg"></img><pre>
</pre>Os pequenos poemas em prosa de Charles Baudelaire (1821-1867), reunidos sob o título <strong>O Spleen de Paris</strong>, começaram a ser publicados nos últimos anos de vida do autor. Entre nós, estes poemas estão disponíveis na colecção de poesia da Relógio d’Água. Foram traduzidos para português por António Pinheiro Guimarães e publicados, pela primeira vez, em 1963. São textos onde a modernidade é retratada em breves narrativas que sublinham o tédio e a solidão. O narrador é um estrangeiro entre multidões que se organizam em torno de tirânicos relógios, afazeres vários apenas suportáveis à luz dos paraísos artificiais: «Neste mundo estreito, mas tão cheio de tédio, apenas um objecto conhecido me sorri: o frasco de láudano; um velho e terrível amigo; como todos os amigos, ai de mim! fecundo em carícias e em traições.» As personagens habitam retiros sombrios e lugares miseráveis. São, geralmente, «pobres almas fatigadas pelos labores do dia», homens horrendos, mulheres satânicas, gente canina, velhos e pobres, talvez porque sejam esses quem mais facilmente espelha a «perda de auréola» do mundo. Mas há também efabulações, móveis que parecem meditar, mistérios, abismos, cachorros cortejos de loucura, «glórias abortadas». Como se o mundo fosse já o Inferno.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=o_spleen_de_paris</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Miniaturas]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/miniaturas.jpg"></img><pre>
</pre>Recentemente galardoado com o Prémio Camilo Castelo Branco, instituído pela APE, pelo livro de contos <strong>Gastar Palavras</strong>, Paulo Kellerman há muito vem desenvolvendo a arte de contista. Em 2000, o júri do Prémio Manuel Teixeira Gomes atribuiu às suas <strong>Miniaturas</strong> um prémio especial. Trata-se de um livro estranho, tendo em conta o panorama da ficção portuguesa. Não há entre nós muitos autores onde a inclinação para o fantástico seja manifesta. É o que acontece nestas <em>short stories</em>, cujas personagens podem ser coelhos que aprendem a voar, cegonhas que entram em greve, torneiras de banheira que se apaixonam, unhas que se revoltam. Os remates acabam por ser surpreendentes, piscando o olho, aqui e acolá, ao sarcasmo e à ironia. Kellerman escreveu inúmeras historietas do género, que foi publicando e distribuindo em edições artesanais. Nesta recolha, evidencia-se, entre outros aspectos, um extraordinário ímpeto inventivo. Eis os dois primeiros parágrafos da pequena história com o título <strong>Lixo</strong>: «Era uma vez um homem que passava uma parte considerável dos seus dias a mexer no lixo alheio. Explicava, a quem desejasse saber, que procurava uma alma. Perdera a sua e, por isso, precisava encontrar outra com urgência.» Desafiamos o leitor a resistir à moral.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=miniaturas</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[mil e uma pequenas histórias]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/mil_e_uma_pequenas_historias.jpg"></img><pre>
</pre>«Um diário mínimo» é o subtítulo deste primeiro volume das <strong>mil e uma pequenas histórias</strong>, de Luís Ene. De facto, trata-se da recolha das duzentas e treze primeiras histórias publicadas no <em>weblog</em> homónimo, começado a escrever em Agosto de 2002. São nove meses de gestação narrativa, onde salta à vista um meticuloso labor de rasura que tem, como fim último, a capacidade de contar sem desbaratar. Os temas são diversificados, assim como o resultado final. Fácil de entender, dada a profusão de recursos postos ao serviço dessa nobre arte que é contar uma história bem contada. As obsessões de Luís Ene são evidentes: a morte, o crime, as dimensões mais ininteligíveis e perversas das pessoas e do quotidiano. Mas há também aquelas histórias que exercitam e questionam a própria essência da história, da escrita, da relação com a palavra.  Como esta: «Esta é uma história que não foi, mas podia ter sido, se alguma vez tivesse chegado a ser. O que não aconteceu!» Isto remete-nos para o que de mais interessante encontramos neste curioso livro: uma relação descomprometida com a auto-ironia, colocando-se o autor diversas vezes no centro das dúvidas e dos paradoxos que o mundo nos reserva.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=mil_e_uma_pequenas_historias</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Os Livros de...]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/os_livros_de.jpg"></img><pre>
</pre>Escrito sob o patrocínio de uma bolsa de criação literária do Ministério da Cultura, <strong>Nova Asmática Portuguesa</strong> (1998), terceiro livro de poemas de Nuno Moura (n. 1970), como que introduziu o tijolo subsequente: <strong>Os Livros de Hélice Fronteira, Regina Neri, Vasquinho Dasse, Ivo Longomel, Adraar Bous, Robes Rosa, Estevão Corte e Alexandre Singleton</strong> (2000). Publicado pela extinta Mariposa Azual, esta reunião heteróclita de desdobramentos poéticos surpreende pela multiplicidade de formas. Chamamos a atenção para as <strong>Histórias Muito Pequenas e Muito Más</strong>, de Vasquinho Dasse. Trata-se de um largo conjunto de micro-histórias, numeradas de 1 a 123, escritas em verso, onde o humor negro tão caro ao poeta sobressai em anotações quotidianas insólitas, absurdas e perturbadoras. Um exemplo: «Apanhou o táxi e disse, - um desastre quanto é?» Outro: «Puseram lâmpadas rosa no metro. // As pessoas cumprimentam-se à entrada / e à saída.» O que está em causa nestas histórias muito más é um olhar sarcástico sobre o dia-a-dia urbano. São plausíveis as influências de poetas como Alexandre O’Neill e Adília Lopes, sobretudo na vertente jornalística, informal e disparatada de alguns apontamentos. Apesar de lúdico, este modo de olhar a vida citadina nunca é ufano. Prefere-se tragicómico.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=os_livros_de</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Livro das Igrejas Abandonadas]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/o_livro_das_igrejas_abandonadas.jpg"></img><pre>
</pre>O argumentista italiano Tonino Guerra (n. 1920) é um exímio contador de pequenas histórias. <strong>O Livro das Igrejas Abandonadas</strong>, traduzido por José Colaço Barreiros, colige duas dúzias de pequeníssimos contos onde o «Leitmotiv» parece ser, mais que o abandono, a ruína. As igrejas abandonadas aparecem aqui como metáfora da irreparabilidade do tempo. São igrejas perdidas no (e como o) mundo rural. Ou então são capelas transformadas em cavalariças, confessionários carunchosos, cinemas fechados. Por vezes o tom é de lenda, com gente simples a dar voz a fenómenos da fé. Outras vezes é a beleza da simplicidade que nos desarma. Como neste <strong>A Água da Paróquia</strong>: «Em Santarcangelo ao poço da Paróquia já não vai beber ninguém. Era a água benta que deitavam na cabeça das crianças para as baptizar e lavava as mãos de quem as metia dentro da pia. / E entretanto continuavam a andar para baixo e para cima os baldes da gente que morava ali à volta. / Depois puxava-a para cima um camponês para regar as alcachofras, até que fecharam o poço com uma chapa e na borda puseram uma placa a dizer assim: «Cá de baixo a água da Paróquia olha para o alto».»]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=o_livro_das_igrejas_abandonadas</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Learicks]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/learicks.jpg"></img><pre>
</pre>A par de Lewis Carrol, Edward Lear foi um dos maiores cultores do género que se convencionou denominar de "nonsense". Nascido em Inglaterra, Lear (1812-1888) foi um viajante incansável. De saúde débil, ganhou a vida como desenhador zoológico. Escreveu e ilustrou muita poesia, especializando-se na invenção de palavras absurdas. <strong>Learicks</strong> é uma breve antologia, publicada pela & etc, com tradução livre de Célia Henriques e supervisão de Vítor Silva Tavares, onde se dá conta da profusão criativa deste autor de historietas cuja moral é não terem moral alguma. Além de uma cronologia e de uma resenha biográfica, esta excelente antologia oferece-nos um pouco de tudo: historietas infantis, poemas, receitas culinárias "nonsense", abecedários, cartas e as famosíssimas "limericks". Basicamente, as "limericks" são composições poéticas de cinco versos, com uma rima de tipo "A-A-B-B-A", que se destacam pelo lado cómico e lúdico: «Havia um velhote bem trangalhadanças, / Gostava de dar alegria às crianças; / Escreveu-lhes um livro, com o que era preciso / P’ra pôr toda a gente torcida de riso, / Tal era a piada do trangalhadanças!» Edward Lear foi um dos autores que mais contribuiu para a popularidade do género, escrevendo e ilustrando para cima de duzentas "limericks".]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=learicks</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Inferno do Condomínio]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/o_inferno_do_condominio.jpg"></img><pre>
</pre>O humor, em todos os seus cambiantes, é um dos moldes recorrentes da micronarrativa. Ao humor vai o narrador requestar motivos improváveis, tramas surpreendentes e remates inesperados. <strong>O Inferno do Condomínio – Como Sobreviver À Vizinhança</strong> (Gradiva / Produções Fictícias, Maio de 2006), de Nuno Costa Santos (n. 1974), é um livro de humor onde vislumbramos o gosto pela micronarrativa. Dividido em três partes (<strong>Dos Vizinhos</strong>, <strong>Das Reuniões</strong> e <strong>Da Coabitação</strong>), é apresentado, na contracapa, como um guia para a convivência com a vizinhança. Entre as descrições de alguns tipos de vizinhos, conselhos práticos acerca de reuniões de condóminos e breves ensaios sobre o problema da coabitação, encontramos diversos <strong>Pensamentos de elevador</strong>, ou seja, aforismos da vida entre muros. Alguns exemplos: «Antes de comprar um andar, visite o andar de baixo. Mesmo que vá viver numa cave.»; «Todo o vizinho é de esquerda até ao momento em que tem de contribuir para resolver os problemas do prédio.»; «Já é altura de haver a previsão do estado das térmitas para amanhã». Para o final, há um brevíssimo <strong>Diário de um condómino anónimo</strong>, talvez onde melhor se afirma a vocação do autor para as histórias mínimas. As ilustrações são de João Pedro Gomes.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=o_inferno_do_condominio</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Elucidário de Youkali]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/elucidario_de_youkali.jpg"></img><pre>
</pre><strong>Elucidário de Youkali seguido de Ordem Alfabética</strong>, acopla dois conjuntos de poemas do poeta portuense João Pedro Mésseder. O que encontramos neste livro é um inteligente, por vezes divertido, exercício de reinvenção do significado das palavras. O olhar meticuloso do poeta permite-lhe, num tom que diríamos mais oriental que ocidental, abreviar o sentido dos termos a um jogo de sinonímia que desafia permanentemente a imaginação do leitor. Não se tratará tanto de exigir capacidades interpretativas ao nível da metáfora, como se trata de propor uma certa predisposição para colocar a fantasia ao serviço de uma reconstrução lúdica dos conceitos. Organizado como um dicionário, as regras deste <strong>Elucidário</strong> são variáveis: estabelecem-se associações, mais ou menos óbvias, com os fonemas do conceito em causa; "desconstroem-se" sentidos, partindo de uma espécie de ampliação da etimologia dos conceitos; distende-se a linguagem a um nível de representação puramente alegórico. Leiamos alguns exemplos. <strong>Amar</strong>: «Encher de água do mar / um coração vazio.» <strong>Buganvília</strong>: «Palavra cujos ramos / trepam pela paredes / do ouvido.» <strong>Cadência</strong>: «Queda lenta». <strong>Delírio</strong>: «Lírio alucinado.» <strong>Espelho</strong>: «Janela da morada / dos loucos.» Se faz sentido falar em "micropoemas", os exercícios deste <strong>Elucidário</strong> só podem ser um exemplo perfeito do género.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=elucidario_de_youkali</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
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<title><![CDATA[Dicionário do Diabo]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/dicionario_do_diabo.jpg"></img><pre>
</pre>Ambrose Bierce (1842-1914) foi um polémico jornalista americano, autor, entre outras obras de má fama, do famigerado <strong>Dicionário do Diabo</strong>. Trata-se de uma colheita de epigramas profusamente sarcásticos e declaradamente cínicos, organizados alfabeticamente, inicialmente aparecida com o título <strong>The Cynic’s Word Book</strong> (1906). A editora Tinta-da-China propõe-nos agora uma versão condensada, traduzida por Rui Lopes, com excelentes ilustrações de Ralph Steadman e prefácio esclarecedor de Pedro Mexia. Antes do <strong>Dicionário</strong>, Bierce serviu o exército da união durante quatro anos, escreveu muitas histórias, <em>sketches</em> e aforismos, viveu em Inglaterra, consolidou a sua carreira jornalística. Das entradas do <strong>Dicionário do Diabo</strong>, chamamos a atenção para as que mais claramente denunciam a retórica inconformista do autor. Por exemplo: «<strong>Dicionário</strong>, n. Um dispositivo literário malévolo para impedir o crescimento da língua e para a tornar rígida e pouco flexível. Este dicionário, no entanto, é uma obra muito útil.» Mas os alvos do autor são, como bem nota Mexia, diversos: «o patriotismo, o colonialismo, o militarismo, o clericalismo, a demagogia democrática». No fundo, os pilares políticos das sociedades amestradas. Segundo alguns biógrafos, Ambrose Bierce ter-se-á suicidado no Grand Canyon. Corre ainda a versão de ter sido capturado por uma tribo de índios brasileiros.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=dicionario_do_diabo</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
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<title><![CDATA[Contos do Gin-Tonic / Novos Contos do Gin]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/contos_do_gin_tonic.jpg"></img><pre>
</pre><em>Short Stories</em>, micronarrativas, ou simplesmente «estórias», as que Mário-Henrique Leiria (1923-1980) coligiu em <strong>Contos do Gin-Tonic</strong> (1973) e <strong>Novos Contos do Gin seguidos de algumas Fábulas do Próximo Futuro</strong> (1974) são, no género, do que melhor se publicou até hoje em Portugal. Quase sempre em prosa, por vezes em verso, menos vezes em registo visual, estes contos são um hino à ironia e ao humor negro, mais ou menos grotesco, que tanto fez as delícias dos surrealistas. De resto, Mário-Henrique Leiria militou, entre 1949 e 1951, na companhia de Cesariny, O’Neill, José-Augusto França, entre outros, no Grupo Surrealista de Lisboa. Pintor de (de)formação, nas suas narrativas convivem em amena cavaqueira o que há de mais absurdo no real e o que há de mais real no paradoxo. Há também, claro, uma forte componente política, empenhada mormente na satirização das instituições e do quotidiano. Por exemplo, este <strong>Carreirismo</strong>: «Após ter surripiado por três vezes a compota da despensa, seu pai admoestou-o. Depois de ter roubado a caixa do senhor Esteves da mercearia da esquina, seu pai pô-lo na rua. Voltou passados vinte e dois anos, com chofér fardado. Era Director Geral das Polícias. Seu pai teve o enfarte.» Imprescindíveis.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=contos_do_gin_tonic_novos_contos_do_gin</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
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<title><![CDATA[Contos de bolso]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/contos_de_bolso.jpg"></img><pre>
</pre><strong>Contos de bolso</strong> é uma antologia que reúne mais de quarenta autores brasileiros de minicontos. Foi publicada pela Casa Verde em 2005, projecto editorial que resulta da união de esforços de oito autores: Caco Belmonte (n. 1972), Christina Dias (n. 1966), Filipe Bortolini (n. 1978), Flávio Ilha (n. 1961), Lais Chaffe (n. 1966), Luciana Veiga (n. 1966), Luiz Paulo Faccioli (n. 1958) e Marcelo Spalding (n. 1982). Alguns possuem sítios pessoais, publicaram em revistas literárias <em>online</em>, participaram noutras antologias, publicaram livros. São, entre outros, os casos de Caco Belmonte, autor de um sugestivo <strong>Contos para ler cagando</strong> (2004), e Marcelo Spalding, autor de <strong>As cinco pontas de uma estrela</strong> (2002). Numa antologia do género o mais normal é encontrar-se de tudo um pouco. Há contos numa toada mais poética, outros fazendo uso de um humor tão negro quanto cómico, há experiências narrativas mais ou menos singulares, charadas, enigmas, microscópicas observações políticas e ecológicas, erotismo descarado e, imagine-se, minicontos de terror. O hiato geracional vai, se não me engano, de 1934 a 1982. Marcelino Freire, na introdução, pergunta o essencial: «Só o osso. Para que dizer mais se podemos dizer grosso?» Escolho um conto. <strong>Aventura</strong>, de Luís Dill: «Nasceu.»]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=contos_de_bolso</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
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<title><![CDATA[Anacrusa]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/anacrusa.jpg"></img><pre>
</pre>De Ana Hatherly (n. 1928) talvez fosse mais convencional sugerirmos as <strong>Tisanas</strong>, começadas a publicar em 1969. Evitemos por uma vez o banal, optando por um menos óbvio <strong>Anacrusa</strong> (1983). Este projecto invulgar, que consistiu na anotação de 68 sonhos durante cerca de vinte anos, resultou num processo narrativo com múltiplas singularidades. É frequente a presença de criaturas estranhas, normalmente de grande porte, situações complexas de decifrar, outras tantas facilmente conotáveis com aspectos absurdos da realidade. Leia-se, a título de exemplo, este sonho de Agosto de 1977: «Estou a dormir e F. acorda-me. Estremunhada digo: porque me acordaste? Estava numa reunião de naturalistas em que toda a gente dava a sua opinião, inclusive as gaivotas…» O livro termina com comentários solicitados pela autora «a alguns amigos e colegas das letras e das artes». Entre eles, Alberto Pimenta e E. M. de Melo e Castro, dois dos nomes maiores, tal como Hatherly, da denominada poesia experimental portuguesa. Para os menos familiarizados com o “movimento”, lembramos que se deve à autora aquele que é considerado o primeiro poema concreto publicado em Portugal. Foi em 1959, no <strong>Diário de Notícias</strong>. Provavelmente não será fácil encontrar <strong>Anacrusa</strong> numa livraria. Tentem-se os alfarrabistas.]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=anacrusa</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
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<title><![CDATA[Água, Cão, Cavalo, Cabeça]]></title>
<description><![CDATA[<img border="1" align="left" src="http://minguante.com/imagens/estante/agua_cao_cavalo_cabeca.jpg"></img><pre>
</pre>Dos escritores portugueses mais novos, Gonçalo M. Tavares (n. 1970) é quem mais publica. Romances, estórias, teatro, poesia, são alguns dos domínios sobre os quais a sua obra vem sendo edificada. Publicado, traduzido, premiado, arrisca-se o escritor, perante tanta proficuidade, a ser considerado um fenómeno literário. Não iremos por aí. <strong>Água, Cão, Cavalo, Cabeça</strong>, é, no instante em que delineamos esta nota, um dos seus mais recentes livros. Nela se colidem 25 ficções sob o signo da ruína e da decadência. Dentro dessas ficções, já de si breves, encontramos pequenas histórias, fragmentos narrativos e vários apontamentos que vão da crónica íntima ao aforismo de cariz existencial: «O corpo é Deus despromovido». (p. 21) Num registo mais condensado, o autor dá seguimento às suas obsessões: o corpo e a sua domesticação, a loucura, a doença, a morte, a oposição entre o social e o individual, entre outras. Os textos estão polvilhados de um humor negríssimo, onde se entrevê também algum erotismo amiudadamente grotesco e desprovido de qualquer sensualidade. Um remate: «Sobre o louco sabe-se isto: foi deixado ali há trinta anos pela mãe. E a mãe dissera nessa altura: / - Amanhã venho buscar-te. / Mas não foi.» (p. 83).]]></description>
<link>http://minguante.com/?livro=agua_cao_cavalo_cabeca</link>
<pubDate>07-06-2006</pubDate>
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